O efeito da ineficiência ambiental

Um dos marcos da empresa de alta produtividade é a eficiência. Uma das formas de traduzir essa habilidade é gerenciar bem os recursos disponíveis.

Apesar do Brasil concentrar 1/8 de todos os recursos hídricos de todo o planeta, a cidade de São Paulo enfrentou uma seca no ano de 2014 da qual demorou mais de um ano para se recuperar e no dia 15/05/2016 o Sistema Cantareira apresentava apenas 8,2% de Volume Útil, isto é, o volume no reservatório que pode ser utilizado sem bombeamento. Neste ano também várias cidades do Nordeste e do Centro-Oeste brasileiro estão enfrentando sérios problemas de abastecimento determinando a implantação de racionamentos e até mesmo o uso extensivo de carros pipa para o abastecimento.

Esse cenário de escassez de água em um país que deveria ser abundante em recursos hídricos se dá pela ação continua do desmatamento sobretudo nas áreas de manancial e de APPs (áreas de proteção permanente) como beiras de rios e topo de morros. Boa parte dessas áreas depois de desmatadas tem baixíssima produtividade econômica, porém deixam uma pegada ambiental gigantesca, sobretudo quando se considera o custo do desabastecimento de água na cidade de São Paulo.

Um estudo recente feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (*) teve como finalidade a criação da proposta de Subsídios técnicos para a construção de uma Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).  Os Serviços Ambientais que são prestados por florestas em pé e são divididos em categorias de serviços:  provisão ( ex: produção de alimentos), reguladores (ex: preservação do solo, mitigação de emissões), culturais e de suporte (ex: produção de água,  polinização ) . O PSA consiste em que propriedades particulares que possuam florestas preservadas recebam recursos públicos ou privados para prestar esses serviços a sociedade.  Apesar de algumas iniciativas de PSA, esse mecanismo ainda é pouco utilizado no país, sobretudo por empresas.

Em geral, para projetos públicos o valor de pagamento para as propriedades que possuem florestas preservadas é em torno de R$ 400,00 por hectare/ano, o que é um valor extremamente baixo para o benefício que áreas conservadas podem trazer sobretudo para o estado de São Paulo, tão carente de recursos naturais.

Porém o custo dessa falta de cuidado com nossas áreas florestais se reflete sobre toda a cadeia produtiva. Esse cenário de riscos crescentes com a perda da qualidade ambiental e consequente aquecimento global afeta diretamente a produtividade das empresas. Como? Afetando individualmente a saúde dos funcionários, aumentando coletivamente o nível de stress, dificultando as operações em condições climáticas adversas e criando condições tais que empresas possam ter grandes prejuízos ao infringirem marcos regulatórios cada vez mais rígidos ou serem associadas a desastres ambientais. Essas situações representam custos cada vez maiores para as empresas que se tornam menos produtivas e eficientes.

O Brasil ainda possui áreas florestais importantes e que concentram a maior biodiversidade do planeta, tanto assim que se estima que ainda devam ser descobertas mais de 4.000 espécies de árvores só na Amazônia (**).

As florestas são um patrimônio de toda a humanidade e sua conservação não é um luxo, mas uma necessidade em função dos serviços vitais que essas áreas prestam.

Já que a forma mais barata de conservação é não desmatar, o que sua empresa está fazendo para mitigar o efeito de suas operações, utilizando o meio ambiente de forma mais eficiente e agregando mais valor à sua marca?

(*)Relatório Final da Pesquisa do Projeto PNUD BRA/11/022 – “Suporte técnico ao Processo Preparatório da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – RIO +20

(**)The discovery of the Amazonian tree flora with an updated checklist of all known tree taxa (2016)

Fonte: Adriana Prestes – CO2 Neutro

Facebook Comments Box