Aplicação de inovação e tecnologia nos transportes deve ser sistêmica

Para especialistas como o professor da Fundação Dom Cabral, Sérgio Myssior, é preciso olhar para a mobilidade além da ótica do transporte e da logística, levando em consideração outras dimensões como o tecido regional e urbano

Fonte: Banco de imagem Pexels

Uma visão sistêmica em que a aplicação de inovação e tecnologia promova transformações nos âmbitos social e econômico nas cidades e rodovias. Este é o consenso entre as lideranças e especialistas que participaram do Painel “Modernização das rodovias a serviço do setor de transporte — Caminhos para o transporte conectado”, promovido durante a primeira edição do FIT — Fórum ITL de Inovação do Transporte. Promovido pelo ITL (Instituto de Transporte e Logística), ligado à Confederação Nacional do Transporte, e transmitido pelo canal da entidade no Youtube, que  discutiu a tecnologia e o seu papel decisivo para o desenvolvimento econômico e social do país.

Para o professor da Fundação Dom Cabral e diretor da MYR Projetos, Sérgio Myssior, é preciso olhar para a mobilidade além da ótica do transporte e da logística, levando em consideração outras dimensões como o tecido regional e urbano, massas populacionais e seus movimentos, entre outras questões. “Hoje, 84% da população vive em áreas urbanas, provocando transtornos como a imobilidade, que causa prejuízos de R$111 bilhões ao ano para a economia brasileira”, afirmou.

Myssor, que também é comentarista da Rádio CBN, reforçou que não se trata de enfrentar as fragilidades e transtornos inserindo somente novas tecnologias e metodologias, mas fazer com que estes novos meios sejam catalisadores para a superação dos desafios. “Hoje nós temos uma metrópole monocêntrica com todas as demandas concentradas em áreas centrais. Isso precisa ser repensado para uma metrópole policêntrica, com um sistema viário organizado em rede”.

Dentro do contexto das cidades, o professor citou outro desafio: o setor de transporte é o maior componente com emissão de gases de efeito estufa (62% em São Paulo e 66% no Rio de Janeiro). “As novas tecnologias precisam estar relacionadas a isso para que sejam superados esses obstáculos”, concluiu.

Rodovias

Durante o painel, João Felipe Salomon Palma, gerente de contas para o setor de transporte da Huawei Brasil, explicou que a empresa está focada em aperfeiçoar o conceito de rodovias inteligentes e defendeu que, no momento, a tecnologia WiFi é superior à LTE para atender os pilares essenciais de segurança viária, fluidez e experiência do usuário. “Com a tecnologia Wifi, você liga diretamente para pedir ajuda em caso de problemas no veículo, em uma rodovia, informando exatamente a localização onde está. No LTE, o contato é por meio de um 0800 e é necessário informação a localização, por exemplo”, salientou.

Palma destacou que a Huawei está desenvolvendo uma tecnologia WiFi específica para rodovias, que vai permitir uma conexão em movimento de até 120 quilômetros por hora. “Além disso, estamos pensando em todo um ecossistema baseado na experiência dos usuários. Uma das inovações é fazer um mapeamento das rodovias, coletando informações sobre velocidade, tempo de viagem, o impacto de uma obra no trecho e onde há maior fluxo de tráfego”, explicou.  

Do ponto de vista do governo, o secretário executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcello da Costa, destacou a importância da tecnologia para a elaboração de estratégias públicas. “As informações oferecidas pelas notas fiscais eletrônicas permitem, por exemplo, a obtenção de dados como origens e destinos de cargas, movimentos repetidos, tipos de transporte usual em certos trajetos e as necessidades de investimento e estrutura. Com isso, o governo pode ter um papel coordenador nessa coleta e processamento de informações para planejamento”, apontou.

*Conteúdo criado com exclusividade para o blog ROTA DIGITAL NEWS da FENATRAN, por Valéria Bursztein.

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