Mercado do transporte rodoviário de cargas em pauta

Rota Digital Fenatran 2.2 reúne especialistas do setor de caminhões e veículos de carga. Acompanhe!

Mercado do transporte rodoviário de cargas em pauta na Rota Digital Fenatran 2.2

A Rota Digital Fenatran 2.2, primeiro encontro da Fenatran na plataforma da Fenatran RX, acontece na terça-feira (5) explorando o tema Inovação & Novas Tecnologias para o Transporte Rodoviário de Cargas.

Estreando em alto estilo, o evento ofereceu uma entrevista exclusiva com o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, conduzida pelo jornalista Carlos Frederico Carvalho, sobre o cenário da indústria automotiva, o transporte rodoviário de cargas e os desafios do setor em 2022. Moraes se prepara para deixar a presidência da associação, mas prometeu não se afastar do setor.

O evento deu a largada para a jornada Fenatran, que tem o ponto alto no encontro presencial, de 7 a 11 de novembro, no São Paulo Expo. Aproveite e marque na agenda!

“Estou muito animado com a Fenatran em novembro, que acontecerá depois de dois anos de pandemia. Nossa trajetória sempre foi em busca do ganho de eficiência e da superação dos desafios impostos pela pandemia, como a falta de peças, comentou Moraes. Segundo ele, a Anfavea completou dois anos operando com a colaboração de quase 1.000 profissionais das montadoras e destacou o estudo O caminho da descarbonização do setor automotivo no Brasil, que teve a preocupação de avaliar a capacidade do mercado nacional em suprir demandas de produção, necessidade de importar e até mesmo perspectiva de exportar inovação.

“A descarbonização é imprescindível para a indústria automotiva e para a sociedade em geral. O Brasil tem uma grande janela de oportunidade para a transformação industrial. Mas, vamos ter que investir muito em nossa indústria para incentivar novas tecnologias como a eletrificação. É o começo de uma grande jornada que transformará toda a cadeia de produção de caminhões e veículos de passeio, o que atrairá outras cadeias, como a de combustíveis, por exemplo. Com este cenário em marcha, certamente testemunharemos também um grande ciclo de investimentos para a próxima década”, avaliou.

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Para atingir essa nova realidade, entretanto, muito precisa ser feito e em várias frentes, alertou o presidente da Anfavea, que elencou a reforma tributária como imprescindível para destravar a evolução do setor. “Consideremos o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), por exemplo. Sempre questionei a existência desse imposto. Hoje, a alíquota está em 18% para o setor automotivo. Acho que testemunharemos outros avanços. E não estamos sozinhos nessa luta: vários outros setores estão na mesma posição, apoiando a atual administração para que se diminua ainda mais a incidência do IPI”, afirmou.

O ganho de eficiência é, na visão de Moraes, crucial para o posicionamento do país no cenário internacional da produção de caminhões e veículos de passeio. “Existe uma questão sobre a competitividade do país e esta é uma fragilidade. Outro aspecto é que existe uma ociosidade importante no mundo inteiro, o que coloca ainda mais pressão sobre a competitividade. Um terceiro fator é que existem mais concorrentes, a exemplo da expansão da indústria chinesa no país e no continente”.

Alternativas energéticas

Ainda no primeiro dia de Rota Digital Fenatran 2.2, abriu-se espaço para a discussão de alternativas energéticas para o transporte de cargas, com foco nas opções disponíveis no mercado e nas novas tecnologias que mudarão as regras do transporte.

Participaram do painel o diretor de Inovação e Tecnologia de Produto, Centro de Tecnologia da RANDON, Cesar Augusto Ferreira, o diretor técnico da ANFAVEA, Henry Joseph Junior, o presidente da ANFIR (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), José Carlos Spricigo e CEO da REITER LOG, Vinicíus Reiter Pilz. Na condução do debate, o painel contou novamente com o jornalista Carlos Frederico Carvalho e, também, com o jornalista Wagner Fonseca.

O diretor técnico da ANFAVEA voltou a comentar o estudo sobre descarbonização dos veículos dedicados ao transporte rodoviário de cargas. “Não tenho dúvida que, no futuro, o transporte será eletrificado. Mas, o problema é ganhar escala na abrangência da rede de abastecimento para garantir a autonomia em rotas de longas distâncias que os caminhões demandam e em como lidar, por exemplo, com a questão do peso das baterias, que é um fator complicador. Poderíamos pensar que a eletrificação se adapta melhor no transporte de carga urbano. Mas, de qualquer maneira, esta é uma discussão que envolve a matriz energética, a política industrial e os incentivos. Percebemos que a tendência agora é a combinação de combustíveis alternativos ao diesel tradicional”.

Para acompanhar o ritmo da evolução, as empresas se dedicam a ganhar expertise na inovação tecnológica. Como é o caso da Randon e seu Centro de Tecnologia (CTR), criado em 2017. O diretor do CTR, Cesar Augusto Ferreira, contou que a empresa, há tempos, se debruçou sobre a apropriação do conhecimento para desenvolver alternativas. “Estudamos os movimentos de transformações há algum tempo e acreditamos que se aproxima uma grande revolução na indústria automotiva. Precisamos desenvolver as novas tecnologias, mas precisamos também amadurecer o mercado para que as consumam. Eletrificação, novos combustíveis, redução de emissão de gases poluentes, há uma série de iniciativas da Randon nesse sentido e precisamos superar os desafios impostos por essa modernização”.

Representando os operadores, o CEO da ReiterLog, Vinicíus Reiter Pilz, contou que a frota da empresa hoje está em 750 fracionadores a diesel, mas desde 2014 a empresa investe em veículos movidos a GNV. “Acreditamos que precisamos inovar. No ano passado, adquirimos 124 unidades Scania, que permitem rodar 100% GNV, além de outras unidades elétricas para distribuição urbana, e queremos ter 20% da frota, que hoje totaliza 30 unidades, convertida até 2023. O nosso grande desafio é a malha, que tem muitos pontos de pane seca. São questões que limitam nossa operação. Gasta-se muito tempo para planejar as rotas, ou seja, precisamos melhorar a malha de abastecimento para ganhar eficiência”.

O painel abriu espaço também para a questão da modernização nos implementos rodoviários. O presidente da Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários) e CEO da Librelato, José Carlos Sprícigo, comentou a resolução 882, publicada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e em vigor desde o final do ano passado, que consolida 26 resoluções que tratam sobre aspectos de pesos e dimensões de veículos de transporte de carga e passageiros. “É o primeiro passo para legalizar a CVC-Combinação Veicular de Carga com PBT-Peso Bruto Total Combinado, de 58,5 toneladas. Ou seja, o implemento rodoviário com quatro eixos. O produto surge voltado ao transporte de produtos agrícolas. Dessa forma, as transportadoras terão o implemento rodoviário ideal para atender o volume cada vez mais crescente de cargas agrícolas, resultante do crescimento constante de nossa safra”.

Na visão dele, a resolução 882 pode impulsionar a adoção de novas tecnologias para o segmento. “O produto com quatro eixos já pode se beneficiar de novas tecnologias que a indústria desenvolveu. Um exemplo é a utilização de novas ligas metálicas com elementos como o nióbio que reduzem o peso da composição sem comprometer a segurança do transporte nem a capacidade de carregar produtos”, explicou.

O Rota Digital Fenatran 2.2 segue até quinta-feira. Se você perdeu algum dos conteúdos, não se preocupe! Todos os painéis estarão disponíveis on demand, após o evento, na plataforma Fenatran RX. Confira!

Clique aqui e acesse a Rota Digital Fenatran 2.2!

*Conteúdo criado com exclusividade para o blog ROTA DIGITAL NEWS da FENATRANpor Valéria Bursztein.

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