São Paulo, 11 de abril de 2022 – O primeiro summit da Rota Digital Fenatran 2.2 deste ano, realizado entre 05 e 07 de abril, reuniu relevantes players do mercado para debater a inovação e as novas tecnologias para o setor de Transporte Rodoviário de Carga. O encontro virtual já começou a aquecer o mercado para realização presencial da 23ª edição da Fenatran, confirmada para o período de 07 a 11 de novembro, no SP Expo.

O primeiro painel teve a participação do presidente da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Carlos Moraes, que apresentou um panorama sobre os desafios do setor nos últimos anos e em 2022. Paraele, a Fenatran será o grande momento neste ano para o setor apresentar suas novas tecnologias para o mercado. O executivo lembrou que, nos últimos três anos, a entidade trabalhou muito no tema da renovação das frotas e que, para fazer frente aos desafios da descarbonização, tem sido necessário atentar também para a frota circulante no País, por meio da retirada paulatina dos veículos leves. Ele lembrou também que no início do mês foi publicada a medida provisória da renovação da frota que faz parte do plano de buscar a descarbonização no País.

Luiz Carlos destacou ainda os fatores que têm causado a falta de semicondutores mundialmente e impactado o mercado brasileiro de veículos e que o Brasil, em geral, ainda está muito dependente do mercado asiático. “Um país do tamanho do Brasil não pode estar tão frágil na cadeia global de suprimentos. Não dá para produzir tudo, mas também não dá para ficar só produzindo soja, petróleo e minério de ferro. Nós precisamos ter uma indústria menos dependente por uma questão estratégica e geopolítica”.

O executivo disse que a Anfavea liderou os esforços, junto com outras importantes entidades da indústria, para sensibilizar o Governo Federal para a criação de uma base ou política para uma indústria mais forte dentro de 10 a 15 anos. “O Brasil tem uma grande oportunidade de usar o setor automotivo para provocar uma transformação industrial. O setor pode alavancar um grande ciclo de investimentos para o País nos próximos 10 a 15 anos”, avaliou o executivo.

Alternativas Energéticas para o Transporte de Cargas

No mesmo dia, foram discutidas ainda as Alternativas Energéticas para o Transporte de Cargas, trazendo uma visão geral sobre as alternativas energéticas já disponíveis no mercado e as novas tecnologias que mudarão as regras do transporte.

Cesar Augusto Ferreira, diretor de Inovação e Tecnologia de Produto das Empresas Randon, destacou como uma das grandes inovações do segmento o e-sys, um sistema de regeneração de energia elétrica completo, incorporado nas linhas de implementos da Randon. O e-sys opera através do comando de um software de gerenciamento que aciona a tração elétrica do eixo do semirreboque, por exemplo em um aclive, auxiliando o motor do cavalo mecânico. O executivo comentou que há alguns anos a Randon vem estudando o movimento de transformação da indústria e como ela deveria se preparar para esse novo ciclo. “Analisamos onde estariam os principais impactos e demandas e assim começamos a desenvolver novas tecnologias para o nosso mercado”.

Para José Carlos Spricigo, CEO da ANFIR – Associação Nacional Fabricantes de Implementos Rodoviários, “o movimento de implementos rodoviários, dentro da entidade, sempre foi direcionado a adoção de novos componentes com redução de peso, buscando a diminuição do custo operacional de fretes. Spricigo lembrou que uma das tecnologias mais disruptivas para o segmento foi o lançamento da Randon, durante a Fenatran de 2019, do módulo de tração elétrica e-Sys, desenvolvido pela Suspensys, fabricante de eixos da companhia.

Vinícius Reiter Pilz, CEO da Reiter Log, destacou que a empresa conta atualmente com uma frota de 124 caminhões Scania que operam 100% com GNV, uma das maiores frotas existentes com essa tecnologia. “Nós procuramos atingir em torno de 20% da frota com energias mais limpas”, pontuou o executivo. “Temos também veículos elétricos em nossa frota, desde o ano passado, voltados à distribuição urbana, pois o veículo tem muito baixa autonomia e capacidade de carga”. Segundo Pilz, a empresa procura, desde 2018, converter parte de sua frota, usando caminhões híbridos – diesel e gás.

O diretor técnico da Anfavea, Henry Joseph Junior, enfatizou que o tema da descarbonização do setor de transporte de cargas é muito complexo. O especialista mencionou várias alternativas viáveis para esse processo. “Não tenho a menor dúvida que o futuro do transporte terrestre vai se dar totalmente em cima de motores elétricos”. Destacou, porém, que neste momento o grande desafio é levar a eletricidade junto com o motor elétrico. “Essa questão já é difícil para os veículos leves e, no setor de veículos pesados, ela é ainda muito mais complexa”, comentou, considerando os desafios relacionados às baterias e a autonomia dos veículos.  Assim, inicialmente, o transporte urbano de cargas é o que mais se adaptará a tecnologia da eletrificação. “Para o transporte de médias e longas distâncias, outras fontes de energia ou energéticos deverão ser adotados, ou mais misturados ao próprio diesel, como o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) – o chamado diesel verde. O executivo acentuou, no entanto, que o diesel deverá seguir com o motor a combustão interna em uso bastante forte nesse segmento.   

Leia também: Mercado do transporte rodoviário de cargas em pauta

Novas Tecnologias que Impactarão o Setor de Transporte – Parte 1

No dia 06, o summit focou nas Novas Tecnologias que Impactarão o Setor de Transporte. Mario Laffitte, vice-presidente de Marketing da Samsung, destacou que, com o advento da pandemia, os consumidores no mundo dobraram o tempo do consumo de conteúdo online em todos os canais, passando, de acordo com pesquisas, de uma média de 3,17 horas a quase 7 horas, trazendo uma demanda maior de conexão com mais qualidade. Segundo Laffitte, os provedores de conectividade têm trabalhado intensamente para atender a essa demanda e com a chegada da 5G, os consumidores vão contar principalmente com mais velocidade, menor latência e uma conectividade exponencial.

“A Samsung tem plena certeza de que o futuro será híbrido, devendo combinar a melhor das experiências da presença física com a virtual”, destacou. Com o avanço da tecnologia, o executivo aponta que vamos poder contar com ecossistemas conectados 24 horas por dia e 7 dias por semana nas grandes cidades. “Elas terão potencial para se tornarem rapidamente cidades inteligentes, onde o consumo de energia e água, o trânsito, o tráfego, a infraestrutura, a coleta de lixo e os sistemas de transporte poderão ser monitorados e gerenciados de uma forma muito mais inteligente, gerando mais segurança, conforto e economia de recursos financeiros e ambientais”.

Laffitte destacou ainda que nesse cenário a tecnologia dos carros autônomos poderá dar um salto transformador e promover uma mobilidade muito mais eficiente no ambiente das grandes cidades. O executivo reforçou também, entre outros pontos, que a tecnologia poderá colaborar bastante para aumentar a eficiência e o aumento da produtividade do setor agrícola.

A 5G deverá trazer grandes avanços tecnológicos e desafios para o setor de transporte brasileiro. A expectativa é que ela aumentará a segurança nas estradas, otimizará os custos dos veículos e diminuirá os riscos de acidentes, entre outros impactos mencionados durante o summit da Rota Digital pela diretora-adjunta do ITL (Instituto de Transporte e Logística), Eliana Waléria de Souza Costa. Para ela, a5G vai trazer mais oportunidades para o crescimento do setor, torná-lo cada vez mais competitivo e ser mais essencial na vida dos brasileiros. “Devemos ter a diminuição dos acidentes, dos roubos de cargas, das perdas humanas. A expectativa é de as empresas investirem mais em tecnologia, em novas formas de gestão para se adaptarem à nova realidade. Precisamos estar conectados e ser mais eficientes e preparados para o futuro”, enfatizou Eliana.

O Head de Marketing Corporativo & IoT da TIM Brasil, Alexandre Dal Forno, disse que a empresa tem o compromisso com a Anatel de chegar inicialmente com a 5G até as 26 capitais e o Distrito Federal e depois avançar também para outras grandes cidades e atender as cidades com 30.000 habitantes até o final de 2029. “A rede 5G vai acelerar o País também”, destacou ele.

“A rodovia inteligente já existe no Brasil, mas ela ainda precisa de informações do veículo. Antes do veículo autônomo, nós vamos ter o veículo inteligente, ou seja, o veículo para qualquer tipo de informação”, comentou Cléber Chinelato, Superintendente de Arrecadação da CCR. Ao falar sobre o que os usuários poderão esperar com relação à informação nas estradas, Chinelato disse que ela proporcionará um aumento da segurança. “Você tem informações hoje que consegue emitir por um painel de mensagens variado, conseguindo sinalizar a velocidade para todos os veículos em um trecho específico. A informação vai para aquele veículo ou para aquela região. É uma possibilidade enorme de informações para fazer essa gestão. As informações de uma rodovia podem ser trocadas com outra rodovia que faz parte do mesmo sistema de trânsito de uma região. Podem ser trocadas com uma cidade, diretamente dos veículos para ela saber o contingente de veículos chegando de determinado trecho da rodovia e vice-versa”, exemplificou.  

Chinelato destacou ainda, dentro do contexto, as vantagens do free-flow,o sistema de cobrança de pedágio sem as praças físicas de cobrança. Nesse caso, o fluxo é livre e o pagamento é proporcional à quantidade de quilômetros rodados. “Isso tem impacto na segurança, na economia de freios e combustível e maior conforto pelo caminho, além de permitir programar uma maior justiça tarifária”, disse.

Leia também: Conectividade 5G vai promover uma revolução nas rodovias e cidades do país

As Novas Tecnologias que Impactarão o Transporte – Parte 2

No último dia do summit, 7, foi realizada a segunda parte do painel sobre as Novas Tecnologias que Impactarão o Transporte, abordando os temas dos drones ao metaverso. Ney Neto, CEO da Dorier Group Brazil, lembrou que o metaverso é um espaço virtual, coletivo e compartilhado que se cria pela convergência de várias realidades, como a física e a digital. “É como se fosse um alinhamento de todos os planetas digitais e interativos, voltado para os negócios e a integração das experiências, como a realidade aumentada, a expandida e a virtual, e também a realidade física”, explicou Ney. “Temos que começar a imaginar o metaverso como o futuro da internet, a WEB 3”. O executivo enfatiza que a WEB 3 é muito mais importante que o metaverso. A internet do metaverso ou da WEB 3, de acordo com ele, é um espaço compartilhado onde o público poderá ter um espaço próprio dentro desse universo. “As pessoas são donas de partes desse novo ambiente”.

Fez parte das discussões do painel o Blockchain, um registro de dados descentralizados que são compartilhados com segurança. “São dados permanentes, compartilhados, com uma cadeia de custódia mais segura do que qualquer outra alternativa e com isso ele vai trazer uma mudança cultural, permitindo que possamos fazer transações de ativos sem nenhum tipo de intermediário”, explicou o fundador da Blockchain Hub Brasil, Carl Amorim. Ele enfatizou que o blockchain vai mudar nosso próprio entendimento sobre o que é ativo. “Vamos começar a pensar em ativo não apenas como dinheiro, mas também como títulos de propriedade intelectual, registros de identidade, dados pessoais, obras de arte e até propriedade de energia, por exemplo, que poderão ser transacionados sem um intermediário para dar segurança ou controlar o acesso para esses dados”.

Ao comentar sobre a possível aplicação do blockchain no setor de transporte de cargas, Amorim explicou que poderão ser criados contratos inteligentes, que são aplicativos que gerenciam o fluxo de informações de ativos e que, aliados à inteligência artificial e à internet das coisas, poderão fazer com que a cadeia de distribuição seja eficiente no nível “Netflix”. “Em vez de consolidar cargas para lotar um transporte, será possível fragmentar e começar a mandar as cargas dentro dos espaços disponíveis. Haverá menor tempo de espera da mercadoria até a porta, com monitoramento por meio de dispositivos”, exemplificou.

Leia também: Empresas não podem ignorar mudança cultural que o metaverso vai promover no mundo corporativo

Djalma Vilela, presidente da MULTILOG e Presidente do Conselho Deliberativo da ABOL (Associação Brasileira de Operadores Logísticos) comentou que os associados já estão aderindo ao blockchain e ao metaverso no Brasil. Ele destacou que o operador logístico de uma forma geral sempre batalhou e sonhou muito com esse momento de poder contar com uma logística colaborativa. “O setor está vendo que é um processo de maior eficiência, otimização e redução de custos para os nossos clientes, oferecendo maior visibilidade dessa cadeia”, destacou. “É o início de uma jornada, com muita expectativa, e que deverá demorar um pouco, mas que já tem que ser iniciada”.

O acesso à plataforma da Rota Digital Fenatran 2.2 e o conteúdo na íntegra de todos os painéis do Summit já podem ser conferidos pelo site www.fenatran.com.br. A participação é gratuita.

Gilberto dos Santos – (11) 98588-7075 – gilberto.santos@expertecia.com.br

Eduardo Pincigher   – (11) 99464-9356 – eduardo.pincigher@expertecia.com.br

www.expertecia.com.br

Facebook Comments Box