Regulamentação do Renovar é essencial para expansão da tecnologia em caminhões no país

O diagnóstico é do vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Gustavo Bonini

Foto: Gustavo Bonini - Vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

As vendas de veículos do segmento Pesado adaptados às mais novas e modernas tecnologias do mercado tendem a crescer quando a Medida Provisória 1112/22 que criou o Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária no País (Renovar) for transformada em lei e, consequentemente, regularizada.

A avaliação é do vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Gustavo Bonini.  A MP será analisada nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. O texto vigora até o dia 29 de julho e precisa ser votado até lá para virar lei.

“Aguardamos com ansiedade. Tem que renovar, senão não vai fazer sentido falarmos em todas essas novas tecnologias como eletrificação, biogás e biometano nos novos veículos se continuarmos com uma frota de mais de 20 anos”, salienta. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito do Ministério da Infraestrutura (MInfra) apontam que há mais de 3,5 milhões de caminhões em circulação no Brasil e, desse total, cerca de 26% possuem mais de 30 anos de fabricação.

Nos primeiros quatro meses de 2022, a venda de veículos pesados com novas tecnologias de propulsão registrou um crescimento de 1,1%. Foram comercializadas 60 unidades a gás e 382 unidades elétricas, em um total de 442.

“Apesar do percentual pequeno, vem crescendo de forma exponencial e o fomento de um programa regulamentado pode melhorar os índices. Só os resultados obtidos nos primeiros quatro meses são melhores do que em todo o ano passado”, destaca Bonini. Em 2021, foram comercializadas 408 unidades (95 a gás e 313 elétricas).

Para Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, o crescimento de veículos pesados tecnológicos será gradual:

“A eletrificação é, por exemplo, uma tendência e todas as montadoras vão seguir neste caminho. Agora, o quanto vai representar dos produtos que serão oferecidos depende da estratégia de cada montadora. De qualquer forma, teremos um leque de novas tecnologias para um futuro mais limpo e responsável”.

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O estudo The Future of Commercial Vehicles (O Futuro dos Veículos Comerciais), elaborado pelo Boston Consulting Group (BCG), prevê que até 2030 ao menos 30% dos caminhões novos no mundo vão usar eletricidade ou gás como fonte de energia alternativa ao diesel.

Suprimentos

A produção de caminhões e ônibus entre janeiro e abril se manteve estável pelo desarranjo da cadeia global de suprimentos, que impactou o Brasil, avalia Gustavo Bonini. Houve uma queda entre abril (9,5 mil unidades produzidas) para março (13,5 mil unidades), o que dá -29,9%. No acumulado dos quatro meses, em 2022 houve um decréscimo de 5,0% (43,9 mil unidades produzidas em 2022, enquanto que, em 2021, foram 46,2 mil unidades).

“Além da questão da cadeia de suprimentos ainda afetar o segmento de caminhões, tivemos, em abril, a coincidência de três empresas estenderem o período de férias pela falta de componentes como semicondutores. A nossa expectativa é de que haja uma melhora no segundo semestre”, frisa o executivo.

Em relação às vendas, houve uma queda entre abril (9,4 mil unidades) e março (10,1 unidades), o que representa -6,7%. No acumulado dos quatro meses, 2022 registra um aumento de 1%, com 36,2 mil unidades comercializadas contra 35,9 mil, em 2021. “Temos uma certa estabilidade no valor acumulado, que, no entanto, apresenta um resultado melhor do que em 2019, quando foram vendidas 30 mil unidades no mesmo período”

Os segmentos que impactam nesses números são os de transportes relacionados ao agronegócio, mineração, construção e e-commerce, que vem apresentando grande demanda.

*Conteúdo criado com exclusividade para o blog ROTA DIGITAL NEWS da FENATRANpor Valéria Bursztein.

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